segunda-feira, 2 de novembro de 2009

OS DALITS NAS ORGANIZAÇÕES

OS DALITS NAS ORGANIZAÇÕES

Eunice Mendes e Lena Almeida: Consultoras Seniores do Instituto MVC, Autoras do livro FALAR BEM É FÁCIL e do Programa e-learning Técnicas de Apresentação.

OS DALITS NOSSOS DE CADA DIA


QUER CONHECER UM HOMEM? DÊ-LHE PODER!
(Anônimo)

A palavra indiana dalit significa quebrado, esmagado, oprimido. Para os indianos pertencentes às castas, os dalits representam a poeira nos pés de Deus. São os párias, os proscritos, cuja vida é regida por um sistema de apartheid. Até o esbarrar em suas sombras pode poluir o corpo e a alma dos homens de casta. Os dalits não podem orar nos templos, e nas escolas não lhes é dado o direito de entrar em sala de aula; se entram, só podem se sentar nas últimas fileiras. A voz deles quase nunca é ouvida. Por isso os dalits são quase sempre analfabetos e a taxa de mortalidade infantil entre eles chega a 10%. São os últimos no ranking social e sequer são considerados como parte do sistema.
Esta realidade mostrada na novela Caminho das Índias, da TV Globo é um claro exemplo de discriminação. Talvez nos espante o tratamento dado aos dalits, mas nos esquecemos de olhar os dalits do nosso cotidiano. Esquecemos que, muitas vezes, também somos acometidos de uma cegueira preconceituosa causada pela nossa prepotência.
O psicólogo Fernando B. Costa é autor de uma tese de mestrado muito reveladora sobre a “Invisibilidade Social”. Ele vestiu um uniforme de gari e por oito anos varreu um campus universitário, para observar o tratamento dispensado aos profissionais que exerciam trabalho braçal mal remunerado naquele local. Essas pessoas pareciam invisíveis, eram os nossos dalits, aqueles que varriam as ruas, recolhiam os tocos de cigarro, as fezes dos cachorros, enfim, faziam o trabalho considerado sujo e não apropriado para quem tem acesso à informação, faz faculdade, conquista um emprego e tem chance de ascender na escala social. Os invisíveis jamais recebiam um bom-dia, um sorriso, um olhar, uma conversa amistosa… O autor da tese concluiu que, naquele ambiente, as funções sociais eram mais valorizadas do que os indivíduos.

Quem tratamos como dalits no nosso dia a dia?

Comece a prestar atenção nas ruas e perceba a reação de algumas pessoas se um mendigo se aproxima ou se uma criança pede um lanche. A maioria finge que não vê, muda de calçada, alguns até soltam palavras de ódio contra quem ousa lhes dirigir a palavra.
Nas empresas acontece o mesmo. Vamos repensar como estão as nossas relações interpessoais? Como exercemos o poder? Como pedimos aos boys para fazer suas tarefas? Cobramos sem ensinar? Como tratamos a moça do café, a que limpa os banheiros, o funcionário novato que não conhece as regras da empresa?
Nós não transformamos em dalits somente os que exercem as funções mais humildes, mas também nossos pares. Quem escolhemos para ser nosso saco de pancadas, a quem estendemos o dedo acusador só por crueldade?
Ninguém é permanentemente generoso. Nós também somos sádicos e perversos, bichos raivosos prontos para atacar, principalmente quem não pode, por mero instinto de sobrevivência, se defender…

PARA REFLETIR:
Será que é possível fazer uma auto-análise consciente para ter mais respeito, empatia, compaixão?
Não se engane: cada um de nós também é um dalit para alguém, quando:
a) Um novo profissional exerce o mesmo cargo que o seu e entra na empresa ganhando o dobro do seu salário;

b) O Diretor não o convida para o fim de semana na casa de praia, mas convida todo o resto do seu grupo;
c) Aquele trainee trata você com arrogância e nem quer saber o que você pode lhe ensinar;
d) Na reunião, o cliente só olha para os outros sócios e não presta atenção no que você diz;
e) Você se sente um estranho no ninho em um determinado ambiente;
f) Em uma roda social, você percebe que alguém faz uma ironia ou ignora a sua presença;
g) Você é discriminado pela sua cor, posição social ou postura política.

Ninguém quer ser invisível nem quer ser ignorado. A indiferença é para muitos uma espécie de morte moral.
A sobrevivência saudável também precisa de atenção, elogios, reconhecimento e respeito.

Outros textos poderão ser encontrados no site: www.institutomvc.com.br/Biblioteca

Fonte: p://www.institutomvc.com.br/insight200.htm#mat1

Educador explica os conceitos de inteligência múltipla de Howard Gardner

01/05/2005
Celso Antunes
Educador explica os conceitos de inteligência múltipla de Howard Gardner




As pesquisas de Gardner representam verdadeiro símbolo educacional contemporâneo, ao sinalizar que o que se descobre sobre a mente humana, constitui não apenas saber acadêmico, mas instrumento de ação pedagógica imprescindível





No dia 11 de julho de 2003, Howard Gardner completou sessenta anos com a propriedade de um currículo indiscutível. Professor de Educação e Diretor do Projeto Zero, no Harvard Graduate Scholl of Education e professor adjunto de Neurologia na Boston University Scholl of Medicine, é autor de inúmeros livros e criador de uma teoria educacional conhecida e aplicada no mundo inteiro. Além da notoriedade pública e reconhecimento como um dos mais influentes educadores deste século, em 1981 recebeu o Mac Arthur Prize Fellowship e, em 1990, tornou-se o primeiro norte-americano a ser condecorado com o Louisville Grawemeyr Award in Educatio, prêmios que por sua expressão e grandeza já sintetizam o admirável perfil de suas pesquisas e de suas obras.
Ninguém melhor que Gardner, entretanto, para falar sobre ele mesmo. Em seu livro lançado no Brasil no ano 2000 pela Editora Objetiva (Inteligência - Um conceito reformulado) descreve-se ao falar sobre seus pensamentos. "Nada em minha juventude diria que eu viria ser um estudioso (e um teórico) da inteligência.

Quando criança, eu era bom aluno e me saia bem em testes, portanto a questão da inteligência era relativamente simples para mim. Na verdade, em outra vida, talvez eu passasse a defender a visão clássica da inteligência, como tantos de meus contemporâneos brancos do sexo masculino que já estão envelhecendo. Típico garoto judeu que detestava ver sangue, eu (e muitos outros em meu mundo) pretendia ser advogado. Só em 1965, ao terminar a minha graduação no Harvard College, resolvi fazer pós-graduação em psicologia. A principio, como outros adolescentes, eu estava fascinado com as questões da psicologia que intrigam o leigo: emoções, personalidade, psicopatologia. Meus heróis em Sigmund Freud e meu professor, o psicanalista Erik Erikson, que havia sido analisado pela filha de Freud, Anna. No entanto, depois de ter conhecido Jerome Bruner, um pioneiro na pesquisa da cognição e do desenvolvimento humano, e de ter lido as obras de Bruner e de seu mestre, o psicólogo suíço Jean Piaget, resolvi fazer pós graduação em psicologia do desenvolvimento cognitivo."

As pesquisas de Gardner representam verdadeiro símbolo educacional contemporâneo, ao sinalizar que o que se descobre sobre a mente humana, constitui não apenas saber acadêmico, mas instrumento de ação pedagógica imprescindível. Mostrou de forma coerente que todos os seres humanos possuem diferentes tipos de mente e que pais e professores podem tornar possível uma educação personalizada, destacando que na imensa diversidade que existe em cada um, deve solidificar-se a certeza de que nenhum ser humano é perfeito em tudo, mas todos, absolutamente todos, possuem potencial de grandezas diversas, forças pessoais que devidamente reconhecidas coloca uma nova linha educacional a serviço do integral desenvolvimento humano e da extrema grandeza da singularidade de sua mente



AS PRINCIPAIS OBRAS DE GARDNER
Como pesquisador, professor e psicólogo atuante, Howard Gardner escreveu muitas obras individualmente ou com colaboradores, entre as quais, editadas em língua portuguesa, destacam-se as seguintes:

• A CRIANÇA PRÉ-ESCOLAR: COMO PENSA E COMO PODE A ESCOLA ENSINÁ-LA (ARTMED)
A NOVA CIÊNCIA DA MENTE. (EDUSP)
• ARTE, MENTE E CÉREBRO: UMA ABORDAGEM COGNITIVA DA CRIATIVIDADE. (ARTMED)
• ESTRUTURAS DA MENTE: A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS (ARTMED)
• INTELIGÊNCIA: MÚLTIPLAS PERSPECTIVAS. (ARTMED)
• INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS: A TEORIA NA PRÁTICA (ARTMED)
• INTELIGÊNCIA: UM CONCEITO REFORMULADO. OBJETIVA
• MENTE QUE CRIAM: UMA ANOTOMIA DA CRIATIVIDADE (ARTMED)
• MENTES QUE LIDERAM: UMA ANATOMIA DA LIDERANÇA (ARTMED)
• TRABALHO QUALIFICADO: QUANDO A EXCELÊNCIA E A ÉTICA SE ENCONTRAM, escrito em parceria com CSIKSZENTMIHATYL & DAMON (ARTMED)
• PROJETO ESPECTRUM: A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL - UTILIZANDO A COMPETÊNCIA DAS CRIANÇAS (Vol 1) escrito em parceria com FELDMAN & KRECHVSKY (ARTMED)
• PROJETO ESPECTRUM: A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL - ATIVIDADES INICIAIS DE APRENDIZAGEM (Vol 2) escrito em parceria com FELDMAN & KRECHVSKY (ARTMED)
• PROJETO ESPECTRUM: A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL - AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL (Vol 3) escrito em parceria com FELDMAN & KRECHVSKY (ARTMED)

O QUE É INTELIGÊNCIA SEGUNDO HOWARD GARDNER
Inteligência é a faculdade de entender, compreender, conhecer. Inteligência é também juízo, discernimento, capacidade de se adaptar, de conviver. Constitui potencial biopsicológico não especificamente humano, mas que em seres humanos assume dimensão inefável. É, para Gardner, uma capacidade para resolver problemas e serve também para criar idéias ou produtos considerados válidos. As criaturas humanas possuem nível elevado de inteligência e por isso são criativas, revelam capacidade de compreender e de inventar e ao acolher uma informação, atribuir-lhe significado e produzir respostas pertinente.
É a inteligência que permite dar sentido as coisas que vemos e a vida que temos e que nos leva a conversa interior, resgates de "arquivos" da memória, capacidade de raciocínio, criação de objetivos e invenção de saídas quando parece não existir indícios de sua existência. Inteligência é saber pensar, possuir vontade para fazê-lo, criar e usar símbolos e graças a eles realizar conquistas extraordinárias, fazendo surgir o mito, a linguagem, a arte e a ciência. Somos quem somos porque lembramo-nos das coisas que nos são próprias e nos emocionamos, e a inteligência faz com que cada ser humano seja um ser único e compreenda plenamente o significado dessa individualidade.



O QUE SABEMOS E O QUE AINDA NÃO SABEMOS SOBRE A INTELIGÊNCIA HUMANA
A certeza de que trabalhando as inteligências múltiplas em sala de aula se está desenvolvendo linha de ação coerente com os saberes antropológicos, sociológicos e neuroanatômicos sobre a inteligência humana se apoia em algumas evidências indiscutíveis. Entre estas, cabe destacar.

• Como as inteligências constituem potencial biopsicológico de emprego imediato no dia a dia e recurso essencial para ajudar-nos a resolver problemas, adaptar-se as circunstâncias, criar e aprender, quem busca trabalhá-las em sala de aula necessita perceber que o conhecimento não é uma "coisa" que vem de fora ou se capta do meio, mas um processo interativo de construção e reconstrução interior e assim não pode ser "transferido" de um indivíduo para outro. Levando-se em conta essa assertiva descobre-se que o conhecimento é auto-construído e as inteligências são educáveis, isto é sensíveis a progressiva evolução, desde que adequadamente trabalhadas. A escola pode ser, portanto, um espaço fomentador de novas maneiras de pensar.

• Ainda que possam existir debates acadêmicos sobre a quantidade de inteligências que o ser humano possui, a classificação mais aceita é a de Howard Gardner que descreve em cada pessoa a existência de oito ou nove inteligências (Howard Gardner fala-nos em oito inteligências efetivamente comprovadas e uma nona (inteligência existencial) que ainda depende de maior aprofundamento e revisão para se acrescentar as oito conhecidas). claramente diferenciadas;

• O potencial humano quanto as inteligências é extremamente diversificado e essa diversidade deve-se a conjunção de fatores genéticos e estímulos ambientais desenvolvidos dentro e fora da escola. Uma pessoa sem distúrbios ou disfunções cerebrais é portador de todas as inteligências ainda que seja diversificado o potencial desta ou daquela;

• A ocorrência de disfunções cerebrais adquiridas ou não, pode afetar uma ou mais inteligências, sem que isso implique em um comprometimento integral. Em outras palavras, é possível neste ou naquele indivíduo a existência de um dificuldade ou distúrbio de aprendizagem que afete uma ou mais inteligências, sem que isso impeça o desenvolvimento potencial das demais.

• Cada uma das inteligências pode ser identificada através de diferentes manifestações e estas, apenas para efeitos didáticos, poderiam ser consideradas sub-inteligências. Desta forma a inteligência lingüistica por exemplo pode se manifestar através da escrita, da oralidade ou da sensibilidade e emoções despertadas pela intensidade com que se capta mensagens verbais ou escritas;

• O valor maior ou menor que a sociedade empresta a esta ou àquela inteligência subordina-se à cultura inerente e ao tempo e local em que se vive. Em alguns espaços geográficos, por exemplo, a capacidade musical se sobrepõe à lingüistica e em outros atribui-se valor maior a capacidade matemática que a administração de situações emocionais próprias ou em terceiros;

Ainda que qualquer faixa etária mostre-se sensível ao estímulo das inteligências, existem idades em que as mesmas respondem mais favoravelmente aos incentivos. Para a maior parte das inteligências a fase da vida mais sensível ao progresso estende-se dos dois aos quinze anos de idade. O cérebro humano é órgão que se compromete pelo desuso e portanto as diferentes inteligências necessitam de estímulos diversificados desde a vida pré-natal até idades bastante avançadas;

• Ao se pesquisar a inteligência humana e a evolução desse conceito, desde quando a neurologia pode beneficiar-se de estudos do cérebro em pessoas vivas, alguns poucos críticos enfatizaram que falar-se em Inteligências Múltiplas seria simplesmente "fragmentar-se a idéia de Inteligência", criando-se um modismo. Nada mais errado que supor que a identificação de inteligências diferentes "fragmenta" ou apenas classifica aspectos particularizados de um todo. A localização cerebral de áreas específicas para operar saberes específicos - como a área de Broca e de Wernicke para a linguagem - mostra que não existe uma inteligência global que se busca dividir, mas núcleos cerebrais distintos que operam competências específicas, ainda que o cérebro humano funcione mais ou menos como uma orquestra e áreas diferentes se envolvem para a apresentação de um resultado aparentemente único. O fato de se ouvir, por exemplo, o destaque do piano em uma melodia não significa que reconhecê-lo implica em "fragmentar" a orquestra.

• Não existe uma única abordagem pedagógica para o trabalho com as inteligências múltiplas em sala de aula e, portanto, não existem "receitas" definitivas sobre como estimulá-las.

Concluindo algumas das evidências destacadas por Gardner, seria lícito reafirmar que trabalhar com inteligências múltiplas não se afigura como um método de ensino cujo emprego supõe uma mudança radical na forma como antes se trabalhava. Ao contrário, estimular com atividades, jogos e estratégias as diferentes inteligências de nossos alunos é possível, não é complicado, não envolve custos ou despesas materiais significativas e pode ser desenvolvido para qualquer faixa etária e nível de escolaridade e em qualquer disciplina do currículo escolar.


MITOS E FANTASIAS PARA MUITO ALÉM DE GARDNER
A teoria das Inteligências Múltiplas alcançou larga popularidade em quase todo mundo e, dessa forma, as idéias que enfatizavam seu emprego em sala de aula assumiram inevitáveis desvios. Em uma obra recente [3] Gardner faz uma análise desses mitos, entre os quais destacamos alguns:

1. Uma variedade de testes necessitam ser desenvolvidos para que possamos avaliar o potencial de cada uma das oito ou nove inteligências humanas.

É um erro supor que possa se avaliar inteligências por testes, quantificando esse potencial. Uma avaliação coerente da inteligência espacial, por exemplo, deve permitir que o aluno explore uma área e perceba se consegue se orientar de maneira confiável, transferindo essa aprendizagem para áreas desconhecidas. Os estímulos, dessa forma, devem conduzir a um progressivo aperfeiçoamento que um criterioso diagnóstico, acompanhado de relatórios da ação do aluno (e não testes padronizados) revelará.

2. Uma inteligência é mais ou menos como uma disciplina escolar e, dessa forma, a Língua Portuguesa por exemplo deveria explorar competências lingüisticas, a Matemática exploraria competências lógico-matemáticas e assim por diante.

Nada mais errado que acreditar nesse mito. A inteligência é uma nova forma de construção de habilidades, baseada em capacidade e potenciais biológicos e psicológicos e não pode ser confundida com disciplinas escolares, que são organizações de saberes aglutinados por pessoas. Em qualquer disciplina é possível trabalhar-se uma ou várias inteligências.

3. Uma inteligência é a mesma coisa que um estilo de aprendizagem ou um método de ensino.

Um estilo de aprendizagem é uma abordagem que se aplica da mesma maneira em diferentes conteúdos; um método de ensino é uma seqüência de operações com vistas a determinados resultados e, dessa forma, o trabalho com estímulos às inteligências permite adaptar-se a diferentes estilos de aprendizagem e sua aplicação não constitui método de ensino que para ser implantado pressupõe a substituição do método utilizado. Gardner enfatiza que não existe "receita" pedagógica única e forma universal de trabalhar-se as múltiplas inteligências.

4. A teoria das Inteligências Múltiplas é incompatível com a existência de uma inteligência geral.

A teoria das Inteligências Múltiplas não questiona a existência de uma inteligência geral mas sim seu campo de conhecimento, admitindo que mesmo pessoas aparentemente bem dotadas em uma inteligência pouco serão capazes de realizar se não forem expostas a matérias que exijam essa inteligência. Quanto mais "inteligente" e diversificado for o ambiente e quanto mais incisivas as intervenções de mediadores, mais capazes se tornarão as pessoas e menos importante será sua herança genética.

Sintetizando, seria possível afirmar que a Teoria das Inteligências Múltiplas endossa três proposições essenciais:

5. Não somos todos iguais. Todo indivíduo, entretanto, é portador de forças cognitivas específicas que o diversifica e o singulariza.

6. Não temos com igual intensidade todos os tipos de inteligência pois temos mentes diferentes. Nesse sentido, toda avaliação que busca comparar ou nivelar seres humanos apresenta-se eivada de preconceitos.

7. A educação funciona de modo mais eficaz se essas diferenças forem levadas em consideração, se forças pessoais forem reconhecidas e se pais e professores empenharem-se em desenvolver projetos para efetivamente conhecer e estimular mentes, descobrindo em que são efetivamente capazes. Uma boa avaliação, portanto, deveria ser "o mais direta possível", orientando o aprender para fazer e verificando como ocorreu essa construção.

A essas proposições julgamos interessante acrescentar que um estímulo às inteligências somente ganha sentido se promovido através de um projeto, se estabelecido a partir de objetivos e trabalhados com pertinácia e com competência. Não se estimula inteligências acidentalmente ou com ações esporádicas.


A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Em 1983, Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Harvard concluiu o manuscrito "As Estruturas da Mente" (Artmed, 1994) que buscava ultrapassar a noção comum de inteligência, como um potencial que cada ser humano possuía em maior ou menor extensão e que este potencial pudesse ser medido por instrumentos verbais padronizados como teste de Q.I. Baseando-se no conceito de que inteligência é a capacidade de resolver problemas ou de criar produtos que sejam valorizados dentro de um ou mais cenários culturais e tomando como referência científica evidências biológicas e antropológicas introduziu oito critérios distintos para uma inteligência e propôs sete competência humanas, mais tarde elevadas para oito ou eventualmente nove.
A teoria de Gardner mudou de forma significativa o conceito de escola e de aula e abriu novas luzes sobre as competências humanas, mostrando que o sistema tradicional de avaliação baseado na capacidade de dominar conceitos escolares específicos necessitava de imperiosa renovação e que não mais havia sentido em se conceber este aluno mais inteligente que outro apenas porque dominava com maior ou menor facilidade as explanações de seu professor ou os conceitos do livro didático.
Hoje, pouco mais de vinte anos após a publicação dos pensamentos de Gardner, a idéia das inteligências múltiplas evoluiu do campo das especulações e constitui uma nova maneira de ensinar e, sobretudo, uma outra forma de conceber a capacidade dos alunos e a aula centrada em sua individualidade. A despeito disso tudo, entretanto, ainda existe algumas dificuldades em se situar com clareza a diferença que Gardner propôs para sua "teoria" e a "prática" da mesma.
"Teoria" e "prática" parecem ser palavras muito amigas e que gostam de andar juntas. Mas, enquanto a palavra "teoria" recebe o desdém e desprezo, como algo que valha apenas no papel mas não possui validade efetiva, a palavra "prática" ao contrário, recebe quase sempre o aplauso, revelando caráter de autenticidade e funcionando para valer. "Teoria" significa um conjunto de idéias científicas sistematizadas e pode muitas vezes assegurar indiscutível validade prática. É, por exemplo, o que acontece com a Teoria das Inteligências Múltiplas.
Os argumentos propostos por Gardner para mostrar a multiplicidade das inteligências parecem ser indiscutíveis. A lesão ou disfunção parcial do cérebro humano implica na perda de ações relativas a ou as inteligências especifica a essa área atingida e não a todas, assim como a manifestação da genialidade humana, destaca que alguns mostram exponencial inteligência lingüistica, como é o caso de Sheakespeare por exemplo, mas outros se projetaram por sua inteligência musical como Mozart, matemática como ocorreu com Einsten, corporal nitidamente presente em Garrincha, Pelé e outros e ainda muitas outras.

Ao lançar sua teoria, Gardner falava em sete inteligências, mas estudos e pesquisas posteriores elevaram esse número para nove, admitindo que tal diversidade pode ainda vir a ser ampliada quando ainda mais profundamente se conhecer a mente humana. Em linhas gerais, portanto, todas as pessoas sem disfunções cerebrais agudas apresentam em diferentes níveis de grandeza, as inteligências:

8. Espacial, expressa pela capacidade de relacionar o espaço próprio com o espaço do entorno, percebendo e administrando distâncias e pontos de referências, bem como revelando a capacidade em perceber visuo-espacialmente diferentes objetos, eventualmente transformando-os ou combinando-os em novas posições. Extremamente nítida em grandes arquitetos, manifesta-se também em pessoas que revelam facilidade em imaginar e percorrer referências espaciais, como alguns motoristas de praça de grandes cidades. Instiga a capacidade em pensar de maneira tridimensional e permite que a pessoa possua imagens externas e internas dos objetos através do espaço e decodifique com facilidade as informações gráficas. Crianças com elevado nível de inteligência espacial percebem com facilidade a mudança de algo em um cômodo de sua casa, detectando alterações mesmo sutis em ambientes que conhecem. Parecem "pensar" através de imagens visuais e muitas vezes destacam-se em atividades artísticas ou jogos que envolvem montagens. Não poucas são fascinadas por máquinas e possuem elevada habilidade manual, mas não se interessam muito por atividades rotineiras, refugiando-se em aventuras imaginárias.

9. Cinestésico-corporal, identificada à capacidade em controlar e utilizar o corpo, ou uma parte do mesmo em atividades motoras complexas e em situações específicas, assim como manipular objetos de formas criativa e diferenciada. Marcante em pessoas que dançam muito bem, praticam a mímica com precisão ou são hábeis em modalidades esportivas diversas. Facilita a sintonização de diferentes habilidades físicas. Crianças com elevada inteligência espacial apresentam capacidade incomum em controlar o corpo e expressar-se por mímicas e caretas, precisando a toda hora mover-se, retorcer-se usando sensações corporais para processarem informações, aprendendo bem menos por ouvir e muito mais por fazer.
• Lógico-matemática, ligada a competência em compreender os elementos da linguagem lógico-matemática, permitindo ordenar símbolos numéricos e algébricos assim como quantidades, espaço e tempo. Presente na Engenharia, na Física e na Matemática, também se manifesta na contabilidade, programadores de computação e outras profissões que recorrem a lógica e os números. Crianças que apresentam uma elevada inteligência lógico-matemática adoram separar, classificar e organizar objetos e brinquedos, aprendem a calcular rapidamente e são excelentes em jogos que envolvem lógica e estratégia e no manejo e compreensão dos desafios ligados a computação.
• Naturalista, associada a sensibilidade de percepção e compreensão dos elementos naturais e da interdependência entre a vida animal e vegetal e os ecossistemas e a leitura coerente e racional da natureza em todo seu esplendor. Marcante no naturalista, botânico, jardineiro e paisagista tem em Darwin seu expoente mais extraordinário. Induz a observações de padrões na natureza, identificando e classificando sistemas naturais. As crianças com elevada inteligência naturalista interessam-se muito por animais e pela vida rural, sabendo quase que intuitivamente separar, organizar e classificar e ilustrar tudo que diz respeito a plantas e sobretudo a animais.

• Lingüistica, voltada a capacidade em adquirir, compreender e dominar as expressões da linguagem colocando em ação a semântica e a beleza na construção da sintaxe. Manifesta em escritores, romancista, jornalistas, palestrantes e poetas, mostra-se expressiva também em pessoas que cultuam a palavra e a construção de idéias verbais ou escritas. Consiste na capacidade de pensar com palavras e de usar a linguagem para expressar e avaliar significados complexos. Crianças com expressiva capacidade lingüistica surpreendem pelo vocabulário que conhecem e utilizam, adoram ler, escrever e contar histórias, mostrando interesse por rima, trocadilhos, charadas e jogos com palavras.

• Sonora ou Musical expressa na capacidade em combinar e compor a música, encadeando sons em uma seqüência lógica e rítmica e estruturando melodias. É a inteligência que se manifesta com mais extraordinário esplendor em maestros, compositores e muitos outros. Destaca pessoas com extrema sensibilidade para a entoação, ritmo, melodia e o tom. Crianças com expressiva inteligência sonora mostram-se sensíveis a sons e seus ambientes, recordando com facilidade de ritmos e melodias. As que sentem-se cercadas por ambiente musical, motivam-se com instrumentos e incorporam a música como elemento comum as suas vidas. Muitas entre elas acumulam coleção de CDs e parece que os fones de ouvido fazem parte da estrutura orgânica de seus rostos.

• Intrapessoal é a inteligência de quem expressa grande facilidade para estabelecer relações afetivas com o próprio eu, construindo uma percepção apurada de si mesmo, fazendo despontar a auto-estima e aprofundando o auto-conhecimento de sentimentos, temperamentos e intenções. Presente de forma mais acentuada em psicanalistas, mostra-se bem caracterizada em assistentes sociais, alguns professores e outras profissões. Crianças com inteligência intrapessoal elevada desde cedo demonstram saber "quem realmente são", não se preocupando muito sobre o que pensam a seu respeito. Valorizam a privacidade e ainda que não gostem muito de misturarem-se a multidão, costumam ser admiradas pelos colegas.

• Interpessoal muito nítida em pessoas que revelam extrema capacidade em compreender a natureza humana em outras pessoas, procedendo uma verdadeira "leitura do outro" quanto seus aspectos emocionais, assim como a destacada facilidade para relações interpessoais e a compreensão da dinâmica dos grupos sociais. Crianças com fortes habilidades nessa inteligência relacionam-se muito bem com outras pessoas, fazem amizade com extrema facilidade e como apresentam elevada sensibilidade para compreender sentimentos de terceiros não raramente são escolhidas para liderar grupos, organizar campanhas comunitárias

• Existencial, ligada a capacidade de se situar sobre os limites mais extremos do cosmos e também em relação a elementos da condição humana como o significado da vida, o sentido da morte, o destino final do mundo físico e ainda outras reflexões de natureza filosófica ou metafísica. Marcante em pessoas com forte espiritualidade é a inteligência dos filósofos, sacerdotes, xamãs, gurus e ainda outros.

De maneira geral é possível crer que todas as pessoas sem problemas mentais específicos possuam todas as nove inteligências com algumas bem mais acentuadas e desenvolvidas que as outras. Trabalhos específicos desenvolvidos em sala de aula contribuem de forma efetiva para "acordar" todas as inteligências nos alunos, ampliando sua criatividade e desenvolvendo-o de forma coerente e holística.


INTELIGÊNCIAS, TALENTOS E APTIDÕES

Já ouvimos não poucas vezes educadores indagarem se o conceito de Inteligências Múltiplas não caracteriza "roupagem nova" para o que antes se conhecia como aptidão ou mesmo como talento. Não existe necessariamente um erro em denominar de aptidão esta ou aquela inteligência, mas enquanto a idéia de "aptidão" mais se aproxima de "habilidade" ou de "capacidade", a inteligência como antes se observou constitui potencial biopsicológico inerente à espécie e sua validade se expressa pela capacidade de resolver problemas ou de criar algo novo. A "aptidão", "performance" ou mesmo o "talento" parece-nos mais claramente associada a idéia de que simbolizam estados avançados desta ou daquela inteligência. O potencial é inerente à evolução, mas a habilidade é conquista educacional com ou sem a intervenção de mediadores. Podemos afirmar, por exemplo, que ao driblar seus adversários e dessa forma livrar-se do problema de uma marcação cerrada o atleta está explorando sua inteligência corporal, mas driblará melhor, com mais aguda performance porquê usou essa inteligência com talento ou com maior habilidade. Ao se assistir o drible de dois atletas não podemos negar a clara evidência de uma inteligência cinestésico-corporal em ação, mas ao constatar que este dribla melhor que aquele, podemos inferir que isso ocorre porque possui maior habilidade, talvez porquê tenha treinado mais intensamente e que essa mesma habilidade poderá ser alcançado por seu colega se se empenhar cada vez mais, desde é claro que seu potencial seja similar.

Muito além da simplicidade do exemplo exposto e desejando propor elementos teóricos (de natureza neurológica, sociológica e antropológica) mais sólidos para caracterizar uma inteligência e, desta forma, isolá-la de palavras que podem gerar alguma confusão, Gardner estabeleceu oito fundamentos que caracterizariam os elementos para aceitarmos uma inteligência.

Esses fundamentos se aplicam as nove inteligência até esta data aferida, mesmo considerando que cada inteligência possa manifestar-se através de diferentes aptidões. Os fundamentos sugeridos por Gardner são:

• Isolamento de uma ou outra inteligência por lesão cerebral.

Uma inteligência pode ser danificada por uma disfunção ou lesão cerebral específica a área do cérebro em que a mesma encontra-se alojada. Uma pessoa, por exemplo, que sofra uma lesão da área de Broca ou de Wernick (lobo frontal esquerdo) apresenta claras deficiências lingüisticas e apresentar problemas para ler, escrever e falar;

• A existência de savant

A palavra savant é usada com freqüência para determinadas pessoas de exponencial talento em uma ou outra aptidão desta ou daquela inteligência, mesmo com sérios comprometimentos em suas ações relativas a outras inteligências. Existem não poucos autistas com sérios problemas lingüisticos ou interpessoais, mas com fortíssima inteligência lógico-matemática ou mesmo musical. Os savants revelam inteligência - ou parte da mesma - superior, enquanto suas outras inteligências operam em baixo nível.

• Momentos definitos de sua manifestação ao longo da vida

Cada atividade desta ou daquela inteligência parece apresentar um ciclo desenvolvimental nítido, onde se destaca a faixa etária em que surge, o momento de maior índice de desenvolvimento e um padrão próprio e específico de declínio com o envelhecimento. Ainda que a manifestação desse ciclo possa variar de inteligência para inteligência, tende a ser o mesmo em todas as pessoas, independente de sua cultura ou de seu ambiente geográfico.
• A presença das inteligências na história evolutiva da humanidade
Ao que tudo indica desde quanto nossa espécie definiu-se como "homo sapiens" já se percebia claramente a existência de diferentes inteligências, marcando pessoas especiais neste ou naquele grupo. Em outras palavras, desde antes da invenção da escrita já era possível detectar em um grupo cultural a existência de pessoas com maior projeção em cada uma das oito ou nove inteligências.
• A sensibilidade da inteligência a uma avaliação
Todas as inteligências humanas podem ser percebidas em suas manifestações, apresentando-se como pouco expressivas em alguns, moderadas em outros e elevadas em terceiros. Embora inexiste um "teste" padrão para quantificar esta ou aquela inteligência, todas as culturas sabem manifestar seu apreço por inteligências elevadas nas manifestações conhecidas. Em outras palavras, qualquer cultura, mesmo as ágrafas, reconhecem a existência de gênios lingüisticos, gênios lógico-matemáticos, gênios musicais e assim por diante.
• Análise de desempenho específico
Gardner demonstra que, ao examinar estudos psicológicos específicos, é possível identificar inteligências operando de maneira quase que isolada uma das outras. Esse fundamentos nos mostra que raramente percebe-se "gênios absolutos" isto é, pessoas excepcionais em todas as inteligências, prevalecendo potencialidades magníficas em matemática, na construção de textos, na composição musical e assim por diante.
• A possibilidade de uma codificação através de um sistema simbólico.
Cada inteligência possui símbolos próprios universais e assim como as linguagens faladas e escritas caracterizam a símbolo estrutural da inteligência lingüistica, os sinais aritméticos, geométricos e os números externam os símbolos lógico-matemáticos. Da mesma forma as notas musicais externam símbolos da composição sonora, existem linguagens gráficas espaciais usadas por engenheiros e arquitetos, a ação corporal na dança e nos esportes é de validade internacional como o é o riso, o choro e outras manifestações espaciais das emoções inerente as inteligências pessoais.
• Operações centrais especifica de cada inteligência
Da mesma forma como cada uma das inteligências conhecidas usam sistemas simbólicos específicos, existe também um conjunto de operações centrais que servem para acionar atividades inerentes a esta ou aquela inteligência. O excelente desempenho cinestésico-corporal, por exemplo inclui a necessidade do domínio de certas rotinas motoras específicas, tal como a construção de um belo texto também envolve procedimentos centrais específicos à inteligência lingüistica.

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E A SALA DE AULA
Constitui mérito indiscutível na obra de Gardner a praticidade de sua teoria e, portanto, o uso em sala de aula, independente do nível de ensino com o qual se trabalha e o conteúdo que se busca ministrar. A idéia essencial da teoria é assumir que todo aluno pode expressar saberes através de diferentes linguagens e que, devidamente estimulado, pode explorar sua potencialidade de forma diversificada. O texto abaixo (Texto do autor, extraído de A PRÁTICA DE NOVOS SABERES. EDIÇÕES Livro Técnico. Fortaleza, 2003), apenas como exemplo, procura mostrar a extrema diversidade dessa aplicação e, nesse sentido, enfatiza uma das inúmeras perspectivas de aplicação da teoria das Inteligências Múltiplas em sala de aula.
" Faça de conta que em frente à sala, o professor acabou de fazer uma análise do tema "Capitanias Hereditárias". Se preferir, ao invés deste, o tema tratado foi a "Como extrair-se raiz quadrada", "O funcionamento do pâncreas", "O quadro climato-botânico da Região Sudeste", ou outro tema qualquer. No exemplo que se dará, o tema é pouco importante e o que modela a ação do professor será seu procedimento, ministrando aula desta ou daquela disciplina, para este ou para aquele nível.

Ao concluir sua exposição e esclarecer dúvidas interpretativas, solicita uma síntese sobre o que falou, através da qual, alunos organizados em pequenos grupos, deverão se expressar. Alguns poderão fazer uso de uma linguagem textual e, dessa forma, apresentarão sua síntese com palavras e, portanto, com frases significativas, textos elucidativos, manchetes marcantes, reportagens realistas. Na execução desse trabalho, a atividade centrada na expressão verbal, imporá ao aluno um uso consistente de sua inteligência lingüistica. Mas, enquanto esse grupo busca a melhor forma de expressão verbal, um outro por exemplo, pode estar pesquisando o tema para expressar o conteúdo do mesmo, possível de ser exemplificado por equações, médias, grandezas, gráficos e proporções.

Enquanto o primeiro grupo "mergulhou" no tema, mas buscou resposta lingüistica; o segundo grupo não fez pesquisas menos intensas e conclusivas, mas expressou suas respostas por uma visão lógico-matemática. O tema é o mesmo, mas áreas cerebrais diferentes foras usadas por grupos diferentes. Da mesma forma, o mesmo tema poderá suscitar a um terceiro grupo uma resposta visuo-espacial e, assim, buscará sua expressão através de mapas e de gráficos, de frisas do tempo e de colagens, de mapa conceituais ou outras manifestações da linguagem pictográfica. Observe que, nesse exemplo, três grupos diferentes, centrados em um mesmo tema, buscaram seu aprofundamento e sua integral significação explorando diferentes inteligências.

Mas, será que esse tema ou conteúdo - seja ele qual for - não poderá, por exemplo, ser pesquisado através de uma visão sonora ou musical e, por essa via, propondo-se como letra de uma samba, valsa ou trovas populares ? Será que os alunos empenhados nessa busca o estarão estudando menos profundamente ? Será, por exemplo, que além da linguagem lingüistica ou verbal, lógico-matemática, espacial ou sonora não seria o mesmo tema um excelente desafio para se propor discussões que envolvessem a linguagem corporal cinestésico, naturalista, inter ou intrapessoal ?

Observe que qualquer conteúdo, de qualquer disciplina, pode ser analisando segundo a visão doentia e exclusivista de uma única inteligência, mas pode também, com alunos se revezando em funções que com o tempo de alternam, ser trabalhado de forma interdisciplinar, valendo-se de outras linguagens e, por esse caminho, explorando outras inteligências. Percebe-se pelo exposto que usar as inteligências múltiplas em classes populares é tão simples quanto agir com bom senso.

Mas, cuidado. Existe o bom senso de ontem e o bom senso de agora. O bom senso egoísta e exclusivista de antigamente que buscava normatizar a humanidade, valorizando apenas uma de suas muitas linguagens e, dessa forma, excluindo todos quantos na mesma não eram excelentes e o bom senso de agora que, ao admitir o aluno como singularidade holística, permite a expressão de seu saber através de diferentes formas, exercitando diferentes inteligências."

Concluindo a síntese sobre a aplicabilidade dos fundamentos das idéias de Gardner no contexto da realidade de nossas salas de aula, apresentamos o quando-síntese abaixo.

INTELIGÊNCIAS ALGUMAS ATIVIDADES MATERIAIS DE ENSINO AÇÃO DOCENTE
ESPACIAL Atividades artísticas, apresentações visuais, metáforas, visualização e mapas conceituais. Concursos fotográficos, metáforas por meio de imagens, símbolos gráficos diversos. Colagens, gráficos, frisas do tempo, mapas, massa de modelagem, argila, lápis de cor, recursos táteis. Coleção de fotos. Explorar o uso de linguagens alternativas, solicitar a transferência de textos para desenhos, gráficos, quadros-síntese
CINESTÉSICA-CORPORAL






Teatro, dança, mímica,, exercícios de relaxamento, atividades diversas que envolvam o uso do corpo Instrumentos de montagem, tampinhas, blocos, equipamentos esportivos, recursos manipuláveis, peças LEGO. Mapas corporais. Solicitar o uso de movimentos do corpo para expressar conhecimentos de disciplinas descritivas. Exercícios sobre consciência física. Propostas sobre cozinhar, costurar, jardinagem, realidades virtuais.
LÓGICO-MATEMÁTICA Desafios, problemas, enigmas, atividades cientificas de experimentação, desafios numéricos, pensamentos críticos. Concursos sobre resolução de problemas lógicos, criação de códigos, linguagens de computação. Calculadoras, ábacos, jogos matemáticos, desafios que explorem a grandeza, proporções, perspectivas. Uso de escalas diversas. Computador e, quando possível, computador fora de uso para desmontagem e análise. Empenhar-se em desenvolver a capacidade de expressar pensamentos através de gráficos, busca de proporções, médias, grandezas e outros elementos lógicos
NATURALISTA






Excursões, atividades diversas ao ar livre, experiências de classificação animais e vegetais, pesquisas sobre o mundo animal e organização de ecossistemas. Caminhadas naturalistas, etc. Aquários, terrários, hortas coletivas, pequenos museus ou coleções naturalistas. Proposição de desafios que envolvam conhecimento de animais e plantas, transposição de temas para um enfoque naturalista, organização de diários de campo e registros de atividades ao ar livre
SONORA






Aprendizagem rítmica, apresentação de corais abordando temas escolares, seleção e criação de músicas envolvendo os conteúdos disciplinares. Dramatizações e Concertos. Visitas a apresentações musicais. Vinculação de conceitos à música. Gravador, coleção de fitas, instrumentos musicais, coleção de CDs. Aparelhos de reprodução sonora. Sugestão para a criação de paródias, organização de grupos para apresentação de temas escolares com ritmos diversos e uso de fundo musical
LINGÜISTICA






Explanações, debates, organização de tele-jornais ou jornais impressos ou murais, jogos de palavras e atividades que explorem a narração, leitura ou redação. Organização de grupos para debates sobre filmes assistidos, clubes literários, concursos lingüisticos. Livros diversos, dicionários de vários tipos, coleção de jornais e revistas, portfólios sobre temas, concurso de redação, trovas e outros Estímulos para pesquisas bibliográficas, exploração de diferentes habilidades operatórias como sintetizar, analisar, relatar, descrever e outras, desafios sobre interpretação de textos, concursos de manchetes, trovas e poemas para expressar diferentes conteúdos
INTRAPESSOAL






Orientação individual, exploração de pesquisas sobre a auto-estima, aceitação de produções individualizadas, oportunidade de opções para manifestações diferenciadas do conhecimento adquirido. Recursos diversos para auto-avaliação, organização de portfólios, diários, materiais diversificados sobre projetos, orientação pessoal de pesquisas. Exploração de atividades que envolvam a significação dos fatos apreendidos no uso diário, ajuda para a contextualização do apreendido no cotidiano vivido.
INTERPESSOAL Trabalhos em grupo, organização de micro-cooperativas e projetos de apoio comunitário, organização de campanhas filantrópicas, reuniões sociais. Propostas para atividades compartilhadas, exercícios de simulações. Jogos coletivos, relação de atividades sociais, arquivo de projetos de ação comunitária, fontes de apoio a ações coletivas. Estímulo a cooperação, proposta de campanhas diversas.

DICIONÁRIO: ENTENDA O CORPORATIVÊS

DICIONÁRIO: ENTENDA O CORPORATIVÊS

* Absenteísmo: falta constante ao trabalho, por parte do empregado, ou sua ausência devido a problemas de saúde.
* Avaliação 180 graus: É um modelo intermediário aos 360 graus. Com ele, não há avaliação dos subordinados, mas apenas dos pares, clientes e chefe.
* Avaliação 360 graus: sistema usado para medir o desempenho, em que o funcionário não é submetido somente à avaliação do chefe imediato, mas à dos colegas de trabalho, subordinados e até de clientes da empresa.
* B2B: Sigla fonética de "business to business". É o comércio eletrônico entre empresas. Trata-se de um mercado sem a participação do consumidor.
* B2C: Business to Customer, a empresa que vende diretamente para o consumidor via internet.
* Benchmark: parâmetros de excelência, exemplos de coisas boas.
* Board: conselho diretor
* Bônus: premiação em dinheiro concedida aos funcionários
* Brainstorm: literalmente, significa "tempestade cerebral". É uma reunião para se fazer exatamente isso: trocar idéias.
* Branding: É a construção da marca de uma empresa, produto ou pessoa.
* Break even point: o momento a partir do qual custos e receitas de um negócio se equilibram
* Breakthrough: trata-se de um avanço em determinada área
* Broad band: banda larga
* Budget: orçamento
* Buying in: compra (de uma empresa, por exemplo).
* Cash: dinheiro vivo.
* CEO - Chief executive officer: É o cargo mais alto da empresa. É chamado também de presidente, principal executivo, diretor geral, entre outros. Quando existe um presidente e um CEO, o primeiro é mais forte.
* CFO - Chief financial officer: Um nome mais sofisticado para diretor de finanças.
* Chairman: presidente do conselho que dirige a empresa.
* CHRO - Chief human resources officer: É o cargo de diretor de recursos humanos.
* CIO - Chief information officer: Responsável pelo planejamento e estratégia por trás da tecnologia. Pode ser também chief imagination officer, termo criado pela fabricante americana de computadores Gateway. É responsável por promover a criatividade entre o pessoal
* CKO - chief knowledge officer: É o gestor do capital intelectual da companhia. As atribuições vão desde a definição da arquitetura das informações e de seu fluxo até onde arquivá-las e como recuperá-las
* Clima organizacional: é o ambiente interno de uma empresa. Para avaliá-lo são considerados, entre vários itens, a liderança na companhia, a motivação para o trabalho, as possibilidades de crescimento profissional, enfim, as satisfações e insatisfações dos funcionários
* CLO - Chief learning officer: Responsável por administrar o capital intelectual. Ele precisa reunir e gerenciar todo o conhecimento da organização
* CMM: Capacity maturity model, recurso para desenvolvimento de software
* CMO - Chief marketing officer: A função é um pouco mais complexa que a diretoria de marketing. Em algumas empresas, o CMO acumula ainda a diretoria comercial e, em outras, a área de novos negócios
* Coaching: Sessões de aconselhamento feitas por um consultor de carreira que acompanha e se envolve no desenvolvimento contínuo do profissional. Serve para promover mudanças de comportamento no funcionário, para que ele atinja novos objetivos.
* Commodity: Produto primário, geralmente com grande participação no comércio internacional.
* Consumer Relationship Management: gerenciamento das relações com o cliente.
* Consumer Understanding: conhecimento profundo a respeito dos clientes
* COO - Chief operating officer: executivo chefe de operações. Geralmente o braço direito dos CEOs.
* Core Business: negócio principal da empresa.
* Corporate Purpose: objetivo da empresa
* Counseling: Aconselhamento de carreira. É uma espécie de terapia profissional, que discute, entre outras coisas, os objetivos pessoais e futuros, estilo gerencial do executivo, nível cultural, valores e conhecimento do mercado. O objetivo é avaliar tudo isso para ajudar o profissional a tomar as melhores decisões para sua carreira
* Country-manager: diretor-geral para o país
* CRO - Chief risk officer: Além de gerenciar o risco nas operações financeiras, o CRO também é responsável por analisar as estratégias do negócio, a concorrência e a legislação.
* CSO - Chief Security Officer: Profissional que tem a missão de identificar fontes internas e externas de recursos para desenvolver projetos de tecnologia
* CTO - Chief Technology Officer: Existe uma confusão muito grande. Geralmente o CTO comanda a infra-estrutura da área de tecnologia. Enquanto o CIO o seu uso estratégico
* Data-base Marketing: marketing baseado em banco de dados de nomes e pessoas, para quem você dirige mensagens de interesse de sua empresa.
* Downsizing: redução no número de funcionários da empresa.
* Educação Continuada: cursos de aperfeiçoamento referentes à atividade do funcionário. Pode incluir a pós-graduação.
*EAD: Ensino a Distância que se utiliza de recursos didáticos por meio da internet, intranet e outros.
* Empowerment: Este termo surgiu nos anos 80 e se refere às situações em que os chefes devem decidir um pouco menos e os subordinados um pouco mais.
* Endomarketing: é uma área diretamente ligada à de comunicação interna, que alia técnicas de marketing a conceitos de recursos humanos.
* ERPs: Sistemas de Gestão Empresariais.
* Factoring: prática de algumas empresas que consiste em comprar cheques pré-datados de lojistas cobrando comissão.
* Feedback: É uma conversa particular entre o líder e o liderado, com caráter de avaliação, sobre os acertos e erros do liderado. O tema do bate-papo é o comportamento do subordinado.
* Fine tuning: sintonia fina, calibragem.
* Follow-up: dar prosseguimento a uma discussão ou debate, retomando temas para atingir soluções. Também pode significar revisão das tarefas que foram geradas após uma reunião ou auditoria, quando os prazos para realização se esgotaram.
* Forecast: Previsão
* Headcount: número de pessoas que trabalham em determinada equipe ou empresa.
* Headhunter: caça-talentos do mundo corporativo.
* Inclusão digital: é dar condições para que um número cada vez maior de pessoas possa ter acesso a novas tecnologias, entre elas a internet.
* Inclusão social: é a forma de trazer para a sociedade pessoas que foram excluídas dela e estavam privadas de seus direitos, como os portadores de deficiências físicas.
* Income: renda
* Intranet: rede de comunicação interna e exclusiva das empresas.
* Intrapreneur (não confundir com entrepreneur): empreendedor interno, pessoa que dirige uma unidade do negócio como se ela fosse uma empresa independente.
* Job rotation: rodízio de funções promovido pela empresa, para que o funcionário possa adquirir novos conhecimentos em setores diferentes e acumular experiências, sem sair da companhia em que trabalha
* L.L.M: Master of Laws - mestrado em direito
* Market share: fatia de mercado
* Markup: é um sobre-preço que se acrescentado ao preço final do produto (digamos, após custo de produção, distribuição e margem de lucro prevista)
* MBA in Company: MBA oferecido pela empresa dentro de seu próprio espaço físico
* MBA: sigla em inglês para Master in Business Administration. É um curso que equivale à pós-graduação em administração de empresas
* Mentoring: profissional mais velho, com experiência e habilidade de relacionamento, que acompanha e passa para o mais novo suas idéias sobre o trabalho e a carreira.
* Nepotismo: favorecimento de parentes próximos feito por quem tem autoridade e poder
* Networking: construir uma boa rede de relacionamentos, geralmente em sua área de atuação.
* Outplacement: serviço oferecido e pago pela empresa, que consiste no aconselhamento, apoio, orientação e estímulo ao profissional demitido, preparando-o técnica e psicologicamente para se recolocar no mercado de trabalho, bem como para o planejamento de sua carreira.
* Performance: palavra inglesa que significa atuação e desempenho
* Player: empresa que está desempenhando algum papel em algum mercado ou negociação.
* Presenteísmo: Diferente do absenteísmo, quem sofre deste mal não falta ao trabalho, mas ao final de todos os dias sofre com dores de cabeça, cansaço, dores nas costas, irritação, sinusite e alergias - com isso, a produtividade e a motivação é que deixam de aparecer.
* Reengenharia: Mudança nos processo internos de uma empresa.
* Responsabilidade Social: atuação e consciência do papel das empresas como agentes sociais no desenvolvimento do ser humano e da comunidade à qual está inserido
* RH: sigla de Recursos Humanos - departamento responsável pelas contratações, treinamentos, remuneração, encaminhamento de carreira e conflitos na empresa.
* Sales Manager: gerente de vendas
* Spread: taxa de risco
* Supply Chain Management: gerenciamento de cadeia de abastecimento
* Target: alvo
* TI: sigla de Tecnologia da Informação
* Toró de palpites: tradução bem brasileira do termo inglês brainstorm, que significa uma reunião de pessoas que se juntam para encontrar soluções para problemas da empresa ou expor idéias criativas para novos projetos.
* Trend: tendência
* Turnover: rotatividade de funcionários dentro de uma empresa, medida pela média de pessoal que se mantém fixa na companhia.
* Workshop: treinamento em grupo de acordo com a técnica dominada pelo instrutor, que visa ao aprendizado de novas práticas para o trabalho.

Fonte: www.vocesa.com.br – Acesso realizado em 14 de maio de 2008, às 12h e 10 minutos.

Data de Elaboração: 25/01/2008
Disciplina: Comunicação e Negociação Empresarial
Professora: Ana Maria Oliveira


A EXECUTIVA NO PARAÍSO

A EXECUTIVA NO PARAÍSO

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou, deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal. Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:
• Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um
pronto-socorro. Onde é que nós estamos?
• - No céu.
• No céu?...
• É.
• Tipo assim... o céu, CÉU...! Aquele com querubins voando e coisas do
gênero?
• Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente. Apesar das
óbvias evidências (nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando
telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que
havia mesmo apitado na curva.

Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis
técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável.
Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bônus anual, além de
estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de
administração da empresa.
E foi aí que o interlocutor sugeriu:
• Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o síndico.
• É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?
• Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

• Assim? (...)
• Pois não?
A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente,
segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.
Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações
inesperadas e reagiu rapidinho:
• Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida
e...
• Executiva... Que palavra estranha. De que século você veio?
• Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo 'executiva'?
• Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.
• Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.
• Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma
proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a
toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistêmica.
• É mesmo?
• Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo
ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?
• Ah, não sabemos.
• Headcount, então, não deve constar em nenhum versículo, correto?
• Hã?
• Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera
desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.
• Que interessante...
• Depois, mais no médio prazo, assim que os fundamentos estiverem sólidos e
o pessoal começar a reclamar da pressão e a ficar estressado, a gente acalma a galera bolando um sistema de stock option, com uma campanha motivacional impactante, tipo: 'O melhor céu da América Latina'.
• Fantástico!
• É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um
organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis
psicológicos não consigam resolver.
• !!!...???... !!!...??? ...!!!
• Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir
as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de
leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande
Acionista... Ele existe certo?
• Sobre todas as coisas.
• Ótimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo,
encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o
marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto
valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, me parece extremamente atrativo.
• Incrível!
• É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um
board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro.
Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e
mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho
certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela
frente vai resultar em um Turnaround radical.
• Impressionante!
• Isso significa que podemos partir para a implementação?
• Não. Significa que você terá um futuro brilhante... se for trabalhar com o
nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno...

Autor: Max Gehringer (Revista Exame - 2007)



MODELO DE PORTIFÓLIO

FERNANDA PENELOPPE

Cargos Atuais
• Assistente Administrativo Pleno da Associação Brasileira de Cimento Portland
Organização e manutenção de serviços administrativos, suporte à gerência, elaboração e controle de documentos e planilhas de controle dos processos, controle de processos, controle de correspondências, controle e análise orçamentária, logistica e criação de eventos, controle de compras, controle de viagens, controle de contratos, classificação contábil.
Histórico Profissional
• CMP Construtora Marcelino Porto - Supervisora Administrativa (9/2004 - 7/2005)
Organização e manutenção de serviços administrativos, faturamento geral da empresa, planejamento estratégico, controle da movimentação bancária, suporte à diretoria, supervisão do Departamento de Pessoal da empresa, controle de compras e entrega de materiais junto aos fornecedores, controle de notas fiscais, criação e elaboração de novas estratégias, atuação como Representante da Direção na implantação da empresa.
• CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA - Estagiária (4/2003 - 6/2004)
Organização e manutenção dos serviços administrativos do Setor Financeiro Contábil, participação e apoio em licitações, arquivo, controle de contratos, tramitação de documentos, elaboração de documentos oficiais, controle do demonstrativo de arrecadação dos conselhos regionais, controle e elaboração de ressarcimentos, controle do movimento bancário, conciliação bancária, classificação contábil, dentre outros.
• DINAMICA ADMINISTRAÇÃO SERVIÇOS E OBRAS - Secretária de Diretoria (11/2001 - 2/2003)
Controle de vencimentos de contas em geral, Secretaria em geral, organização e manutenção de arquivos, digitação, serviços bancários, controle financeiro e administrativo de outras duas empresas de menor porte, apoio em recursos humanos, controle e recebimento de malotes e correspondências, controle de guias de FGTS e INSS, contatos e monitoramento com filiais e outras empresas coligadas. etc...
Competências
Atividades polivalentes focalizadas em resultados, pró-atividade;
Iniciativa, comprometimento, responsabilidade e bom humor, capacidade de argumentação, visão estratégica e bons relacionamentos.
Conhecimentos em Windows XP; Word; Excel; Power Point; Internet; Intranet; Corel Draw; Photo Shop; Adobe Page Maker; Print Artist; Access, Visio; Arquivo; Atendimento ao público; Redação Comercial; Conciliação Bancária; Classificação Contábil; CRM; Suply Chain, Sistema Microsiga; Sistema Dexion; Sist
Formação Acadêmica
• IESA/Instituto Superior de Ensino de Samambaia
Administração de Empresas (2/2002 - 12/2005)
Interesses
Atuar em áreas de assessoria administrativa, planejamento, logística, recursos humanos, operacional, financeira, controladoria, marketing.
Cursos, Extensões e Prêmios
Informática: Orion Informática para Operador
(Digitação, DOS, Windows, Excel, Word, Internet, Power Point)


CRM – Customer Relationship Management – www.nextg.com.br – Intel

Supply Chain Management – www.nextg.com.br – Intel

Excel Avançado - SENAI
Grupos e Associações
Conselho Regional de Administração - CRA/DF
Contato
fpeneloppe@yahoo.com.br
(61) 9917-7377


A “cegueira” revisitada

November 20th, 2008 Denise Rangel Postado em A tecnologia no dia a dia, Arte e Literatura, Educação e ensino, Projeto de leitura, Vida de Mestra | 7 Comentários »
Aqui está mais um trabalho feito por meus alunos, ainda daquele projeto de que já falei, em que eles deveriam apresentar qualquer obra literária usando a linguagem que desejassem.
Pois bem, um dos grupos aproveitou a sugestão que eu havia feito de assistirem ao filme Ensaio sobre a cegueira, após fazermos um debate sobre a obra de Saramago, que inspirou o filme de Fernando Meirelles. E o resultado foi um poema concreto com a sinopse da primeira cena do livro, que é também a primeira do filme a que assistiram. Vejam:






Nem é preciso dizer que adorei! Então, o que acharam? Ah, e dêem uma passadinha lá no blog Na Roda de Leitura e prestigiem o trabalho de meus aluninhos, combinado?
Technorati Tags: ensaio sobre a cegueira, poema concreto, projeto de leitura
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José Saramago lança blog na internet

Jornal Nacional estilizado


Texto de Denise Rangel
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar parcialmente, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.




Fonte: http://drang.com.br/blog/2008/11/a-cegueira-revisitada/ - Acesso em 18 de setembro de 2009, às 13 horas e 07 minutos.


RECEITA PARA UM BOM RELEASE

Para que o seu release seja aproveitado é necessário que as informações sejam corretas e quantos menos trabalho der a um jornalista, maior é a chance de ele ser aproveitado.
A maioria dos releases costuma ser produzida como se fosse um folheto de vendas, isso não funciona no relacionamento com a imprensa.
Um bom relacionamento com a imprensa requer algo mais do que simplesmente mandar e-mail ou telefonar para o jornalista. É preciso respeitar o horário do fechamento de pauta na redação. Entender que o jornalista tem pressa porque precisa fechar inúmeras matérias diariamente.
O emitente da informação deve ser uma fonte sobre sua área da atuação, e não apenas sobre a empresa para qual presta assessoria.

O Release padrão
Todo release deve ter sempre data, partindo-se do pressuposto de que a informação nele contida é notícia. É preciso dar ao editor a sensação de urgência e de que a informação é atual.
É aconselhável também escrever em espaço duplo, para que o destinatário possa fazer anotações ou alterações.
Um release deve ter no máximo duas páginas. Isso geralmente é o bastante para apresentar a informação para urna pequena nota e o suficiente para estimular a curiosidade do editor, que vai procurar mais detalhes
Colocar ou não o logotipo da empresa
É recomendável usar sempre logotipo da empresa assessorada, pois a marca dela deve prevalecer. A assessoria não pode ter mais destaque que a empresa que ela ajuda a divulgar.
Ao enviar o release por e-mail é melhor encaminhar o arquivo aberto.

Contato com os jornalistas
O profissional encarregado de atender à imprensa deve estar bem informado sobre a empresa e o produto ou serviço oferecido.
O nome dessa pessoa e seu número de telefone devem constar no final do release. Ela tem de conhecer absolutamente tudo para não truncar a comunicação com o jornalista. É importante que todos os que forem mencionados no release estejam autorizados e aptos a responder perguntas.
A Notícia
O título da notícia deve transmitir novidade. Não deve enaltecer a realização da empresa. O texto de um release deve ser notícia do ponto de vista da publicação à qual ele se destina, além de dar ao editor um estímulo para prosseguir a leitura. O jornalista que recebe o texto precisa achar que aquela informação vai ser Importante para o leitor. Faça um título curto e use um verbo de ação positiva que obrigue o editor a continuar a leitura para saber do que se trata. A palavra "novo" é a essência de qualquer notícia.
Destaque as vantagens
As vantagens oferecidas por um produto ou serviço são mais importantes do que suas características. É importante mostrar os benefícios que o novo produto vai trazer para os leitores da revista ou do jornal nas quais se pretende que a informação seja veiculada. Isso, sim, é noticia.
Precisão
Pode parecer óbvio, mas nunca libere um texto para a imprensa sem ter absoluta certeza de que as informações são precisas.
Objetividade

Mantenha-se no ponto principal de sua notícia. É Impossível abranger o mundo inteiro em um release. Tente não repetir demais o nome de sua empresa o de seu produto. Se a reportagem for feita, a empresa será citada - ela, afinal, é a fonte da notícia.

Lead

A informação mais importante deverá estar nas primeiras linhas, ou seja, no lead. No jargão jornalístico, lead é a parte Inicial do texto, na qual devem estar as informações mais Importantes. Ele está para a jornalismo assim como o rótulo está para um produto industrializado.



http://www.tfscomunicacao.com.br